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12/09/2009 17:25
Para a vida que te deu o mesmo ventre que o meu
Eu escrevo, pois amo incondicionalmente
Do amor que não enxerga a sua beleza desesperada
Desse amor que não sente o calor que deve existir no seu corpo moço
Adolescente.
Eu te amo o dia em que nasce
Eu amo o seu corpo pequenininho cheirando suor bebê
Um sentir que escapa das minhas escolhas
Minha procura por pessoas amigas e fortes
Eu amo o seu sangue de trabalho e de ternura pois é o mesmo que corre em mim
Um sangue que corre, não ferve, ele dança...
Eu só escrevo, pois enxergo todos os seus erros
E esse sangue teimoso me grita para pular a frente de tudo o que te afronta
Só escrevo, pois seus títulos para mim de nada valem
Irmão, filho, líder, bom atleta...
O que meu peito pede é o semideus que eu possa adorar...
Um meio menino, meio homem que mereça o meu amor mais puro
O melhor que eu já senti, do melhor que sairá de mim
Perder-te para o mundo é perder a grandeza do meu ser
Quero-te o melhor de mim. O melhor do mundo.
De tudo que é sem fim... O mais bonito.

enviada por Bru
16/07/2009 22:27
Não estou lá
Alguns futuros se desenharam sem mim
Nos croquis, nem vestígio do meu traço torto
Nem sinal, nem borrão de uma risada que dei
Ou do que compartilhei.
O que era mais de um, eu vi naqueles sonhos um solo
Um único acorde repetido infinito e belo sem mim
E de belo era triste.
Dos planos uma alegria de recomeço e novidade
Um quê de novos cheiros e sabores.
Novos amores.
Só eu dancei sozinha na madrugada,
abraçada aos meus cabelos
Os olhos fechados para ver o que o coração rabisca.
Quando acordei era só o frio.
E fui embora sozinha passos doloridos pela minha estrada
E ainda que eu tenha oferecido as mãos à caminhada
Que eu tenha deixado pedrinhas coloridas no asfalto
Ou que tenha reforçado o rastro de perfume
Quando olhei para trás,
Meio casual, meio sem querer
Não teve berro, nem assobio, nem passos que me alcançavam.
Segue em frente,
Sem ver lá no final nem rastro do que sobrou,
Mas saber que é só ali que se pode encontrar.
enviada por Bru
21/05/2009 08:59
Valsa Junina
Grafite de Nina Pandolfo
Essa sala está cheia de lua nova
Ainda que o frio congele a garganta
A noite tem uma delicadeza que convida
Que flutua...
Cada pequeno objeto que trepida
está cheio de uma impaciência infantil
Quase eufórica.
A luz acende, a luz apaga,
os móveis dançam pela casa,
Dançam valsa...
E um silêncio que deixa ouvir os
pensamentos
A música vem de fora.
Um espelho pequenino, baratinho
esperneia de atenção.
Um espelho obstinado, verdade.
Mas eu desvio, viro na marra,
torço o cabelo, mexo as mãos...
Não quero aquele espelho, ow!
Quero outro, quero limpo, quero depois.
Ainda não sei a cor do batom
O tamanho da franja
A cara, o jeito e o tom...
Não tenho tempo para vidros ou rios cristalinos
Lá fora está cheio de lua nova
Diz pra ele que vou pra valsa junina
Soltar meu balão verde pela janela
noite afora.
enviada por Bru
09/01/2009 00:37
Sujeira
A toalha sobre a cama. Os lençois guardados. A tevê em stand by.
Todos os livros e sentidos silenciados.
Ou emudecidos. Emudecidos é a palavra.
A casa precisa de limpeza e a geladeira precisa de um pouco mais do que suco de uva.
As grades da janela de uma casinha no bairro do Ipiranga de frente para um supermercado só deixa mais evidente sua incompetência em manter a própria vida. Em ser, assim, sozinha. Todos os dias em que ela acorda às 5h para poder lavar os cabelos, fica com prequiça de preparar o próprio café, que sairá amargo como toda comida que prepara. Um cozinheira tão incompetente... "Mas, a mãe é tão direita!", "Deve ter puxado a avó...".
Há dias... Ou melhor, meses, ela pensa em abandonar o trabalho. Não que seja um talento desperdiçado. Só não há talento. Ganha sua merreca que não a deixa comer além das cozinhas sujas da Avenida São João. São dois ônibus para ir, dois para voltar. Atravessa ruas tão imundas com uma ar de falsa boemia que mais se assemelha à decadência. Decair do nada é fracassar, pobrezinha!
A única coisa da qual nem percebe que pode se gabar é de uma melancolia honesta. As grades da janela são prova. Assim como os sapatos de má qualidade.
A janela tão cheia de pó e tantos, tantos, tantos livros. Na estante, empilhados no chão, em cima do botijão de gás vazio, em cima da mesa, pelas cadeiras junto a bolsas de pano, do vídeo cassete inutilizado e revistas nunca lidas, mas tão bonitas, tão impecáveis. Tudo causa um enjoo daqueles que vejo nas caras dos caras da Vila Madalena. Tudo tão bonito, mas a náusea real é tão nojenta. Nojo de bêbado, de maquiagem borrada, de cigarro e homens suados que a seguram pelo braço, ou falam bem próximo ao seu ouvido: "Gostosaaa". E ela se arrepia dos pés à cabeça e só quer se esconder. Libertina cristã!
Seu dia se acaba às nove quando sai do trabalho após horas de cordialidade com clientes reclamões. Que nojo das unhas sujas pintadas de vermelho. Amareladas como todas as suas roupas.
Argh! Se eu cruzar com ela na rua vou fingir que não a conheço. E seguir como se eu jamais tivesse escrito algo para ela.
Argh!

enviada por Bru
23/11/2008 21:02
...Que ainda nem sabe a força que tem...
Eu, cidadã do mundo, venho por meio deste, dizer a verdade. Nada mais que a verdade.
Como ser-humano que nunca roubou na "Verdade ou Desafio" e criatura de uma ética só baseada no imperativo categórico kantiano-marciano, confesso a dificuldade de me acostumar à reciclagem e à coleta seletiva.
Aprendendo a jogar coisas no lixo com clipes da Cyndi Lauper e da Madonna, sempre achei que o certo era jogar alguns desconfortos no lixo. No entanto, a intensidade da minha espécie da tribo humana me incomoda bastante... E mesmo fazendo listas, cortando o cabelo e ouvindo Pat Benatar, não consigo deixar de me preocupar.
Portanto, venho por meio deste me indignar, bater o pé debaixo da mesa e fazer beicinho. Pois, afinal como pessoa que nunca conseguiu blefar no truco, preciso de alguém que me diga que fica indeciso na hora de separar o lixo e que também não saiba como dizer adeus.
Tudo se recicla em uma velocidade tão grande que acho que fiquei para trás...
Ainda guardo todas as frases que eu deveria jogar fora.
"Se despede da sua dor, diga adeus à sua alegria. Não há... O que lamentar... Quando chega o fim do dia" - Arnaldo Antunes - Fim do Dia (música dos infernos que toca na hora errada!)
enviada por Bru
10/08/2008 00:38
Se o relógio não despertasse, acordaria naturalmente e o dia seria de sol. Calçar os tênis de correr e só pensar em café e pão quente. E depois de desperta e fresca, pudesse sentar ao sol e ver o céu rastelado de luzes.
Expulsa do meu casulo. A transformação ansiosa foi precipitada. Hoje, só busco um lugar onde possa descansar. Cobertores e ombros de conforto e calor. Sempre presentes, sempre muitos. Anotação mental: Construir novo casulo.
Eu ando pelos lugares sorrindo pequenas atitudes que me confundem. Só acredito naquilo que me faça rir. O meu sorriso nunca me enganou.
Anotação mental: Só acreditar naquilo que os olhos vêem. Mensagens subliminares só existem para pessoas de percepção aguçada. Sou obtusa demais para compreendê-las e ingênua o suficiente para distorcê-las. Acreditar naquilo que eu quero é mais fácil, mas com o tempo... Doloroso.
enviada por Bru
02/08/2008 10:21
Partir, andar

Partir andar, eis que chega
Essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim
Sobre o mar sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Dinheiros, grades ou palavras
Partir Andar, eis que chega
Não há como deter a alvorada
Pra dizer, um bilhete sobre a mesa
Para se mandar, o pé na estrada
Tantas mentiras e no fim
Faltava só uma palavra
Faltava quase sempre um sim
Agora já não falta nada
Eu não quis, te fazer infeliz
Não quis.... Por tanto não querer, talvez fiz...
Partir andar, eis que chega
Essa velha hora tão sonhada
Nas noites de velas acesas
No clarear da madrugada
Só uma estrela anunciando o fim
Sobre o mar sobre a calçada
E nada mais te prende aqui
Agora já não falta nada...
Não falta nada...
Herbert Vianna
enviada por Bru
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